segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mãos pela conservação da cultura

As artes manuais e os ofícios artesanais que ainda sobrevivem na manutenção da identidade cultura da cidade
 
Florianópolis é a capital administrativa e turística do estado de Santa Catarina, mesmo não sendo a maior cidade do estado, título esse da cidade de Joinville. Formada por uma ilha oceânica com 424 km² e uma pequena península continental, totalizando 436 km², contando somente a ilha e o continente, a população é de 421 mil pessoas, população essa que ultrapassa um milhão durante a temporada de verão. Números que incluem somente moradores da cidade de Florianópolis, se contar com mais apenas São José, município considerado dormitório, onde residem partes dos trabalhadores da cidade, a população chega a 630 mil habitantes Se formos consideram a grande Florianópolis, os números serão muito maiores, pois teremos que incluir nessa conta os seguintes municípios: São José, Biguaçu, Governador Celso Ramos, Palhoça, Águas Mornas, Santo Amaro da Imperatriz, além de São Pedro de Alcântara, São Bonifácio, Antônio Carlos, Rancho Queimado, Angelina e Anitápolis.




A cidade, segundo Celso Calcanhoto, este ano foi eleita pela quinta vez consecutiva o melhor destino turístico do Brasil no concurso da Revista Viagem e Turismo. Ainda segundo Calcanhoto, os fatores que contribuíram para isso são vários: riqueza cultural, as pessoas, o jeito da cidade. Jeito esse que cativa os visitantes para voltar mais e mais vez. Saber o que compõem esse jeito, essa gente é o importante. Atualmente são 600 mil pessoas que trabalham diretamente com o turismo na região, fora o que trabalham indiretamente.

Florianópolis tem como alicerces da sua economia as atividades do comércio, prestação de serviços públicos, indústria de transformação e o turismo. Recentemente a indústria da informática vem se tornando também setores de grande desenvolvimento. Mas o contraste de realidades ainda é muito presente na cidade. Enquanto, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) Florianópolis detém o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), índice que mede a qualidade de vida e de escolaridade, dentre mais de cinco mil cidades brasileiras, parte da população ainda vivem com antigamente. Tirando o sustento do mar, do barro e das artes manuais, com pequenos negócios familiares e sobrevivendo da temporada de verão.

Exemplos dessa população que ainda vive da cultura da pesca, da renda de bilro, do cultivo de marisco e do barro estão espalhados por diversos pontos da cidade. Em seus redutos específicos.

Um dos últimos povoados com colônia de pescadores artesanais e ainda com características açoriana marcantes está localizada no sul da ilha, na praia do Pântano do Sul. Local aonde seu Celio Alíbio Viera, 62 anos, 50 deles dedicados ao mar, seu filho Elton Célio Vieira, 31 anos, e ainda um sobrinho, vivem da pesca assim como seu pai e avó. Seu Célio só lamenta que a cultura de pesca não seja muito valorizada e que cada dia mais falta gente para ir ao mar, sobrando só os familiares que ainda consegue para completar a tripulação. E conta que os mais jovens já não querem mais saber do ofício, “são estudado e querem outra vida”.

Já para Mauro César Vicente, 55 anos, 40 anos de pesca, os problemas vão além da falta de interesse dos jovens e da falta de atenção por parte das autoridades locais, incluindo prefeitura e governo do estado, falta apoio e atenção de órgão reguladores do município. Mauro reclama da falta de saneamento na região, que ocasiona o aumento da poluição da água, a invasão da areia pelos comercio locais, “estão cimentando tudo, invadindo a areia”, limitando a área dos pescadores. “Fica cada vez mais difícil continuar assim, precisamos de mais atenção”.

Nesta praia de águas calmas, barcos parados na areia, pescadores remendando redes rasgadas é possível perceber que muitos dos moradores, já procuram na cidade outros meios de sobrevivência, colocando em risco o futuro da pesca artesanal. Os mais jovens estudam e não querem seguir as profissões dos pais e avós. De um modo geral, é no verão que a comunidade vive em melhores condições com a chegada dos turistas, trazendo formas de renda extra com o aluguel de suas casas, embarcações ou vendendo mais o           que conseguem tirar do mar. É nessa poucas e já tão calejadas mãos que ainda é possível identificar as raízes da pesca na cidade.

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