
A cidade, segundo
Celso Calcanhoto, este ano foi eleita pela quinta vez consecutiva o melhor
destino turístico do Brasil no concurso da Revista Viagem e Turismo. Ainda
segundo Calcanhoto, os fatores que contribuíram para isso são vários: riqueza
cultural, as pessoas, o jeito da cidade. Jeito esse que cativa os visitantes
para voltar mais e mais vez. Saber o que compõem esse jeito, essa gente é o
importante. Atualmente são 600 mil pessoas que trabalham diretamente com o
turismo na região, fora o que trabalham indiretamente.
Florianópolis tem como alicerces da sua economia as atividades do
comércio, prestação de serviços públicos, indústria de transformação e o
turismo. Recentemente a indústria da informática vem se tornando também setores
de grande desenvolvimento. Mas o contraste de realidades ainda é muito presente
na cidade. Enquanto, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)
Florianópolis detém o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), índice que
mede a qualidade de vida e de escolaridade, dentre mais de cinco mil cidades
brasileiras, parte da população ainda vivem com antigamente. Tirando o sustento
do mar, do barro e das artes manuais, com pequenos negócios familiares e
sobrevivendo da temporada de verão.
Exemplos dessa população que ainda vive da cultura da pesca, da renda de
bilro, do cultivo de marisco e do barro estão espalhados por diversos pontos da
cidade. Em seus redutos específicos.
Um dos últimos povoados com colônia de pescadores artesanais e ainda com
características açoriana marcantes está localizada no sul da ilha, na praia do Pântano
do Sul. Local aonde seu Celio Alíbio Viera, 62 anos, 50 deles dedicados ao mar,
seu filho Elton Célio Vieira, 31 anos, e ainda um sobrinho, vivem da pesca
assim como seu pai e avó. Seu Célio só lamenta que a cultura de pesca não seja
muito valorizada e que cada dia mais falta gente para ir ao mar, sobrando só os
familiares que ainda consegue para completar a tripulação. E conta que os mais
jovens já não querem mais saber do ofício, “são estudado e querem outra vida”.
Já para Mauro César Vicente, 55 anos, 40 anos de pesca, os problemas vão
além da falta de interesse dos jovens e da falta de atenção por parte das
autoridades locais, incluindo prefeitura e governo do estado, falta apoio e atenção
de órgão reguladores do município. Mauro reclama da falta de saneamento na
região, que ocasiona o aumento da poluição da água, a invasão da areia pelos
comercio locais, “estão cimentando tudo, invadindo a areia”, limitando a área
dos pescadores. “Fica cada vez mais difícil continuar assim, precisamos de mais
atenção”.
Nesta praia de águas calmas, barcos parados na areia, pescadores
remendando redes rasgadas é possível perceber que muitos dos moradores, já
procuram na cidade outros meios de sobrevivência, colocando em risco o futuro
da pesca artesanal. Os mais jovens estudam e não querem seguir as profissões
dos pais e avós. De um modo geral, é no verão que a comunidade vive em melhores
condições com a chegada dos turistas, trazendo formas de renda extra com o
aluguel de suas casas, embarcações ou vendendo mais o que conseguem tirar do mar. É nessa poucas e já tão
calejadas mãos que ainda é possível identificar as raízes da pesca na cidade.
